• Transplante de córneas: tudo o que você precisa saber

    Transplante de córneas: tudo o que você precisa saber

    Pra começarmos a tratar sobre o assunto é preciso entender alguns aspectos importantes para doação e implante de olhos. A córnea é uma estrutura transparente localizada na parte anterior do globo ocular, ou seja, na frente do olho. Trata-se de um tecido fino, delicado e transparente que nos permite ou não enxergar com nitidez. Se a córnea se tornar opaca, por enfermidades hereditárias, lesões, infecções, queimaduras por substâncias químicas, enfermidades congênitas ou outras causas, a pessoa pode ter a visão bastante prejudicada.

    Os transplantes permitem que pessoas com alguma deficiência visual por problemas de córnea recuperem a visão. Durante um transplante de córnea, o botão (ou disco) central da córnea opacificada (embaçada) é trocado por um botão central de uma córnea saudável. Esta cirurgia pode recuperar a visão em mais de 90% dos casos de pessoas que têm alguma deficiência visual por problemas de córnea.

    Neste Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos fazemos um bate papo com o Dr. Wislen Roberto dos Santos Braga, um dos pioneiros da região em realizar transplante de córneas, levando o título por ter efetuado o 1° Transplante de Córnea da Foz do Vale do Itajaí (1981).

    HOSC – O que é o transplante de córnea?

    Dr. Wislen – O transplante de córnea é uma cirurgia que consiste em substituir uma porção da córnea doente, de forma total ou parcial, por uma córnea saudável. Pode ser substituída toda a espessura da córnea (Penetrante) ou apenas uma porção dela (Lamelar).

    HOSC – Quando pode ser necessário um transplante de córnea?

    Dr. Wilsen – Esse tipo de cirurgia é indicado quando existe a perda da integridade da córnea, a fim de melhorar a visão, ou corrigir defeitos oculares que ponham em risco a anatomia ou a função do olho. Vários problemas podem afetar a córnea como o ceratocone, úlceras, infecções, traumas, cirurgias intraoculares, distrofias, degenerações, alergias e outras, podendo levar a uma visão bastante prejudicada.

    Na maioria das vezes existem tratamentos específicos que recuperam a córnea; quando isto não é possível pode-se realizar um transplante, que representa a única chance de voltar a enxergar.

    HOSC –  Qual a chance de sucesso de um transplante de córnea?

    Dr. Wislen – O sucesso da cirurgia é bem positivo, mas dependerá da causa que motivou o transplante. A porcentagem de sucesso é alta nos casos não complicados e de bom prognóstico.

    Geralmente os resultados visuais após o transplante de córnea são muito satisfatórios. A visão do paciente depende também da integridade de outras estruturas oculares. Após o transplante, pode levar meses para que a visão atinja o seu melhor potencial; porém, após algumas semanas o paciente já poderá  perceber alguma melhora.

    HOSC – O olho como um todo pode ser transplantado?

    Dr. Wislen – Não. Somente alguns tecidos oculares, como a córnea e a esclera. Células-tronco da córnea também podem ser utilizadas para fins terapêuticos.

    HOSC – Como são utilizados os tecidos oculares doados?

    Dr. Wislen – A córnea, a esclera e as células-tronco da córnea podem ser utilizadas com finalidade terapêutica. Os tecidos que por algum motivo não forem usados em cirurgias, o serão em pesquisas aprovadas por uma comissão de ética, ou para fins de ensino.

    HOSC –  Quem pode ser doador de tecidos oculares?

    Dr. Wislen – Qualquer pessoa que tenha ido a óbito e que a família tenha autorizado a doação. O uso de correção visual (óculos ou lentes de contato), ou a existência de algum distúrbio visual, como miopia, hipermetropia e astigmatismo, entre outros, não são causas impeditivas da doação. São aceitos doadores com idade de 2 a 80 anos.

    HOSC – Como posso manifestar o desejo de ser um doador?

    Dr. Wislen – O importante é conversar com os familiares a respeito do seu desejo, pois, por lei, este desejo só poderá ser cumprido se a sua família autorizar a doação.

    HOSC – Mesmo que a pessoa não tenha se manifestado, a família pode autorizar a doação?

    Dr. Wislen – Sim. A família é a única responsável por autorizar uma doação após a morte, seja de órgãos, tecidos oculares ou outros tecidos, como o osso ou a pele.

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